Mais uma vez, nos deparamos com decisões estarrecedoras, vindas de entidades que têm por finalidade o cuidado com a vida em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte. No último dia 1º de agosto, a Assembleia Nacional da França, aprovou a alteração da Lei da Bioética que permite o aborto até 9 meses de gestação em caso de “sofrimento psicossocial” da mulher. Atualmente, a Lei francesa permite o aborto até a 12ª semana de gestação. Porém, essa decisão ainda não é definitiva, o projeto de lei volta para uma nova votação no Senado. Em O Livro dos Espíritos, na questão 880, Allan Kardec indaga: “Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem?  E os Benfeitores da Humanidade respondem: “O de viver. Por isso é que ninguém tem o direito de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.”  Tirar a vida de alguém é crime. A mulher, tanto quanto a equipe médica, o Estado, ou o companheiro, não tem esse direito. A ciência diz que a célula-ovo não é um amontoado de células descartáveis; a vida de um novo ser tem início nela e prossegue, sem parar, em um movimento contínuo do embrião ao velho. A célula-ovo tem DNA próprio, fruto da união do gameta masculino com o feminino. Recebe os genes da mãe, mas seu genoma é bem diferente. A mãe hospeda o novo ser, mas o feto não faz parte intrínseca do seu corpo. O aborto é uma das formas mais sangrentas de violência, porque o ser em formação não tem como se defender. E a mulher que recebeu de Deus a missão transcendente de gerar vidas, comumente, não se deixa aprisionar pela visão do aborto. Sobretudo, quando ela vê as imagens do feto em gestação, quando acompanha os batimentos do coraçãozinho de seu filho a partir das três primeiras semanas. Não, ela não pensa em aborto. O que a gestante em “sofrimento psicossocial” precisa é de amparo à maternidade, de esclarecimentos quanto ao uso de métodos anticoncepcionais confiáveis. Devemos preservar a vida das bebês, sendo contrários à prática do aborto, sob a pena de nós mesmos, em futuras reencarnações, não conseguirmos voltar à vida física para completar a nossa evolução espiritual.  “A sociedade que apela para o aborto declara-se falida em suas bases educacionais, porque dá guarida à violência no que ela tem de pior, que é a pena de morte para inocentes.” Vamos construir uma sociedade de paz e não de mortes, lembrando a fala da Madre Teresa de Calcutá: “Eu sinto que o grande destruidor da paz é o aborto, porque ele é uma guerra contra a criança, uma matança direta de crianças inocentes, assassinadas pela própria mãe. E se nós aceitamos que uma mãe pode matar seu próprio filho, como é que nós podemos dizer às outras pessoas para não se matarem?”