No livro “Vida e Sexo” de Chico Xavier, Emmanuel nos esclarece que a família é formada por Espíritos diversos que se reencontram, comumente como afetos e desafetos, amigos e inimigos, para os ajustes indispensáveis à Lei de Causa e efeito. A família é considerada a menor célula a sociedade e reflete exatamente o estado interior dos seus componentes na convivência íntima do lar. Estudos realizados nos EUA e Inglaterra (Vida a Dois – Ed. Três) mostram que os casais têm um interesse muito maior na comunicação e diálogo do que viver um amor romântico. Isso significa que o companheirismo, a solidariedade, interesses comuns e participação nas atividades do outro, passaram a ser prioritários no casamento. Quando existe o entendimento das finalidades espirituais da família, quando existe o amor no sentido mais nobre da palavra e quando há interesse em se educar e vencer animosidades, o relacionamento conjugal torna-se mais fácil e, como resultado, alcançamos a felicidade. Porém, casamentos problemáticos caminham céleres para a dissolução. O termômetro do casamento é o carinho. Diminuído o carinho na conversa, no toque, no relacionamento sexual, há prenúncio de rompimento parcial ou total. O mando, a autoridade, o exclusivismo, a exclusividade excluem o carinho. Sua falta pode ter origem também em causas como a desilusão, interferência negativa de terceiros, intranquilidade financeira, doenças e em causas de grave porte como adultério, comportamento imaturo, psicótico e o desprezo uni ou bilateral.

A vida conjugal deveria ser a soma de ideias e vontades. Uma constante expectativa de felicidades, aspirações e esperanças a dois. A união, a composição. Vida a dois como se fosse um. Não é a renúncia, a concessão para manter a união, mas a união amorosa com alguma renúncia e concessão para evitar desajustamentos. Sob o aspecto das influências espirituais, entendemos que a orientação de entidades espirituais, quer sejam amigas ou inimigas, sobre um dos cônjuges ou ambos, traz sempre resultados observados no relacionamento conjugal. Quando a influência espiritual é benéfica, tudo bem, há sempre Espíritos simpáticos aproximando-se dos lares com as melhores intenções de manter ou de proporcionar o equilíbrio do relacionamento conjugal e interpessoal. No entanto, a influência maléfica pode provocar desequilíbrios tanto maiores, quanto maior for o grau de aceitação da sugestão espiritual. Em ambos os casos, essa ação recai, não apenas sobre o casal, mas também em outros familiares que junto residem, determinando assim o clima ou a psicosfera de todo o lar. Para que sejam evitados danos maiores, podemos utilizarmos os recursos que a Doutrina Espírita nos disponibiliza: o diálogo, a higiene mental e a oração. Conforme a resposta de “O Livros dos Espíritos à questão 910: “Se orar a Deus e a seu anjo guardião, com sinceridade, os bons Espíritos virão certamente em seu auxílio, porque essa é a sua missão.” Em tempos de isolamento social, onde as discórdias aumentaram em muitos lares do planeta, mantenhamos acesa a chama do amor nos nossos relacionamentos com muito diálogo, fé e oração. Tudo vai passar! Tudo ficará bem!

Samira José Turconi