“Bastante grande é a perversidade do homem. Não parece que, pelo menos do ponto de vista moral, ele, em vez de avançar, marcha para trás? “Enganas-te. Observa bem o conjunto e verás que o homem avança, visto que melhor compreende o que é mal, e vai dia a dia corrigindo os abusos. É preciso que o mal chegue ao excesso, para tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas.” (Questão nº 784 de O Livro dos Espíritos). “Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons? – “Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão”. (Questão nº 932 do mesmo livro). Acrescenta Allan Kardec: “Com uma organização social criteriosa e previdente, ao homem só por sua culpa pode faltar o necessário. (…) Quando praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade e ele próprio também será melhor.”
Sob o aspecto filosófico, o Espiritismo oferece à sociedade humana, uma grande contribuição, a fim de que ela se estruture, organize e funcione em termos de verdade, justiça e amor. Portanto, o espírita tem que participar e influenciar na sociedade em que vive, procurando levar às instituições que a estruturam os valores morais do Espiritismo. Aqueles que pretendem o bem não podem se omitir; e essa participação liga-se profundamente com a caridade. A participação do espírita, inclusive do jovem, no processo social, cultural, político e econômico deve ser consciente e responsável, tendo como diretriz o Evangelho de Jesus que apresenta a mais elevada fórmula de vida político-administrativa aos povos da terra. Quase todos os homens se atiram à conquista dos postos de autoridade e evidência, mas geralmente se encontram excessivamente interessados com as suas próprias vantagens no imediatismo do mundo. O sinal mais característico da imperfeição é o INTERESSE PESSOAL. O verdadeiro desinteresse é coisa muito rara na Terra. O grande desafio do homem de bem é participar ativamente desse movimento de transformação social, alicerçado no conhecimento das Leis Morais. Preponderar sobre os maus, como já vimos, é apenas uma questão de vontade. Toda a moral da Doutrina Espírita está calcada na moral do Cristo e esta deve ser a base para a construção de uma nova sociedade, mais justa e mais feliz.