Equilíbrio Físico e Espiritual em Tempos de Pandemia

Samira José Turconi

Vivemos tempos bem diferentes, nesse período em que estamos em “quarentena” que já se transformou em quase noventa dias de isolamento social. Como não compreendemos a Vida como uma realidade constituída por etapas delineadas com firmeza no corpo físico e fora dele, vemos na vida material a única realidade, sem a qual tudo nos é desconhecido ou impossível de existir. Diante dessa constatação, se torna difícil mantermos o equilíbrio espiritual, principalmente com a profusão de notícias de contaminações pelo novo Coronavírus. Quanto mais pensamos e voltamos nossa atenção para as calamidades e desastres, mais teremos a impressão de que o mundo está limitado à nossa pessoal maneira catastrófica de vê-lo e senti-lo. O nosso empenho para manter-nos em paz não é suficiente para estabelecer a paz em nós, antes, deixamo-nos consumir por incertezas da vida material. Em nossas vidas somente guardamos as sensações, as emoções dos prazeres mundanos, transitórios, como se a vida na Terra fosse apenas para se buscar a felicidade através da matéria. Porém, o ser humano é um conjunto harmônico, constituído de Espírito e matéria, mente e perispírito, emoção e corpo físico, que interagem em fluxo contínuo uns sobre os outros. Qualquer ocorrência em um deles reflete no seu correspondente, gerando, quando for uma ação perturbadora, distúrbios, que se transformam em doenças. A intercorrência dos medos básicos no indivíduo centraliza-se na incerteza mantida em torno do fenômeno da morte. Desse modo, são muitos os efeitos perniciosos no corpo, causados pelos pensamentos em desalinho, pelas emoções desgovernadas, pela mente pessimista e com medo. Os impulsos primitivos do corpo, não disciplinados, provocam estados ansiosos ou depressivos, sensação de inutilidade, receios ou inquietações que se expressam ciclicamente, e que a longo prazo se transformam em neuroses, psicoses, perturbações mentais e espirituais. O homem é o que acalenta no íntimo. Sua vida mental expressa-se na organização emocional e física, dando surgimento aos estados de equilíbrio ou de desarmonia. Ao compreendermos isto, podemos bem canalizar o medo, que se transforma em prudência, em equilíbrio, auxiliando a discernir qual o comportamento ético adequado, até o momento em que o amadurecimento emocional o substitui pela consciência responsável. A consciência da responsabilidade é o antídoto para o medo, do que se infere que o desejo de agir, para recuperar-se, comanda a vontade e desarticula as engrenagens maléficas que o desequilíbrio fomentou. O amadurecimento psicológico propõe que cada atividade tenha lugar no seu momento próprio e cada desafio seja atendido no instante correto, quando se apresentam. “A cada dia já basta o seu mal”, conforme nos ensinou Jesus. Uma das maneiras de conservar o equilíbrio espiritual e físico é estar presente no agora, no que estiver fazendo. É muito importante também cultivar pensamentos bons e positivos. Não permita que os pensamentos negativos destruam sua paz mental e espiritual. Faça o melhor que puder, no seu dia a dia, com alegria, paciência e boa vontade. Aceite o que não pode ser mudado. Tenha a coragem de mudar o que pode ser mudado. Priorize, diariamente, momentos de recolhimento, de oração, de relaxamento para alimentar sua serenidade e sua fé em Deus. Essa confiança em Deus vai gerar confiança em você, combustível que vai trazer entusiasmo e equilíbrio para sua vida.